Osteoporose: Uma doença comum e pouco diagnosticada

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A osteoporose é uma doença silenciosa que afeta milhões de pessoas, principalmente após os 50 anos. Caracteriza-se pela redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura do osso, o que aumenta significativamente o risco de fraturas. Apesar de ser comum, ainda é pouco diagnosticada e tratada adequadamente.

Com o envelhecimento, o processo natural de remodelação óssea sofre alterações. O organismo passa a perder mais massa óssea do que consegue repor. Esse desequilíbrio leva à fragilidade óssea, tornando os ossos mais suscetíveis a fraturas, mesmo após traumas leves, como uma queda da própria altura.

Nas mulheres, o risco aumenta após a menopausa devido à redução dos níveis de estrogênio, hormônio fundamental para a manutenção da densidade óssea. Já nos homens, a perda óssea costuma ser mais lenta, mas também merece atenção.

Alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver osteoporose:

  • Idade avançada
  • Histórico familiar da doença
  • Sedentarismo
  • Baixa ingestão de cálcio e vitamina D
  • Tabagismo
  • Consumo excessivo de álcool
  • Uso prolongado de corticoides
  • Pós-menopausa

A presença de um ou mais desses fatores não significa que a pessoa terá a doença, mas indica maior necessidade de acompanhamento médico.

Diferente de outras condições, a osteoporose geralmente não apresenta sintomas até que ocorra uma fratura. Muitas pessoas descobrem a doença apenas após uma queda ou dor súbita na coluna.

Estima-se que grande parte dos pacientes com osteoporose não saiba que possui a condição. Mesmo entre aqueles diagnosticados, há baixa adesão ao tratamento, o que aumenta o risco de novas fraturas e complicações futuras.

O diagnóstico é feito principalmente por meio da densitometria óssea, exame simples e indolor que avalia a densidade mineral dos ossos.

As fraturas osteoporóticas mais frequentes ocorrem em:

  • Vértebras (coluna lombar e torácica)
  • Fêmur proximal (quadril)
  • Antebraço distal (punho)

Uma fratura em adultos com mais de 50 anos deve sempre servir como alerta para investigação da saúde óssea. Fraturas consideradas de baixa energia — aquelas que acontecem após traumas leves — são altamente sugestivas de fragilidade óssea.

É importante destacar que fraturas nos dedos, face ou crânio geralmente estão associadas a traumas de maior impacto e não costumam ser classificadas como fraturas osteoporóticas.

As consequências das fraturas vão muito além da dor. Elas podem causar:

  • Perda de mobilidade
  • Redução da independência
  • Dor crônica
  • Internações prolongadas
  • Aumento do risco de mortalidade, especialmente após fratura de quadril

Além dos impactos físicos, há também efeitos emocionais importantes, como depressão, ansiedade e perda da autoestima. Muitos pacientes passam a depender de familiares para atividades básicas, o que compromete significativamente a qualidade de vida.

Por isso, a prevenção é fundamental.

A boa notícia é que a osteoporose pode ser prevenida e tratada. Entre as principais medidas estão:

  • Prática regular de exercícios físicos, especialmente musculação e atividades com impacto controlado
  • Alimentação rica em cálcio
  • Exposição solar adequada para produção de vitamina D
  • Suplementação quando indicada
  • Uso correto de medicamentos prescritos

O tratamento medicamentoso reduz de forma significativa o risco de novas fraturas. A adesão adequada é essencial para que os benefícios sejam alcançados.

O endocrinologista é o especialista capacitado para avaliar fatores hormonais e metabólicos que influenciam a saúde óssea. Pessoas com mais de 50 anos, mulheres na pós-menopausa ou indivíduos que já sofreram fraturas devem procurar avaliação médica.

A identificação precoce da osteoporose permite intervenções que preservam a independência e evitam complicações graves.

A osteoporose é comum, silenciosa e potencialmente incapacitante. No entanto, com diagnóstico adequado, acompanhamento médico e tratamento correto, é possível reduzir significativamente o risco de fraturas e manter qualidade de vida.

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Referência Científica

LeBoff MS, Greenspan SL, Insogna KL, Lewiecki EM, Saag KG, Singer AJ, Siris ES. The clinician’s guide to prevention and treatment of osteoporosis. Osteoporos Int. 2022 Oct;33(10):2049-2102. doi: 10.1007/s00198-021-05900-y.

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